TEMPO DE FLOR


Imagem do DevianArt por Elia Fernandez.


Ele era alguém que podia escolher. Ela era uma flor colhida na casualidade, de um jardim de carências. Nenhum dos dois premeditaram nada, apenas aconteceu o que tinha para acontecer e as pessoas que participavam desta história não pareciam estarem lá por acaso e sim com uma intenção velada de fazer sofrer. A melhor pessoa da vida de alguém pode guardar o pior veneno para outrem, assim segue outra assombrosa estória de amor.


Não tinha necessidade de possuir mais do que podia carregar, ele já vinha de um relacionamento longo, portava-o tendo o cuidado sempre de enfeita-lo. Parecia que amarrava um laço de cetim com um nó bem forte porque se vazasse algo, por ali também sairia sua alma. E já não acreditava em mais nada...
 
A moça simples não sabia o que ele via nela. Ela própria não enxergava-se a rosa que ele insistia tanto em compara-la e isso fazia aumentar o encanto que este homem provocava nela. Embora coberta com cicatrizes de feridas profundas, a menina ousou acreditar que poderia ser feliz... 


E assim foi por um tempo. 

 
Como uma trilha perfeitamente cinematográfica, ambos se entregaram um ao outro, cuidaram-se e mesmo insistindo no laço que o prendia, ele deixou-se curar pela pureza dos sentimentos da garota. Ela simplesmente pôs-se a pedir que ele não se aproveitasse dela e da sua voluntária ingenuidade.
Porém, quando o doente sentiu que já estava de alta, arrumou suas malas e com um mínimo de educação, procurou sua doce enfermeira para se despedir. 


Ela, que no fundo sabia que o que era tão perfeito não poderia durar para sempre, engoliu lágrima por lágrima enquanto o covarde explicava motivos vãos para uma atitude tão porca. 

Não ousou a balbuciar nenhum momento palavra alguma de revolta, também não quis escutar as longas explicações. Ela apenas levantou o rosto, com um sorriso leve, mas forçado e com o coração em chamas disse em bom tom:

- Se você quer ir, vá! Pelo menos eu serei a única a saber o que estou perdendo...
Você pode até me contrariar respondendo que é uma fábula criada, mas não deixa de ser um bom conselho: Não brinque com os sentimentos alheios, eles se fortalecem e você se perde.

O pior surdo não é aquele que não quer ouvir, mas aquele que ouve e só compreende quando é tarde demais...assim aconteceu.
Para a tristeza do rapaz, ele nunca mais se sentiu são novamente. Já a flor continuou sua sina, um pouco mais desbotada, é bem verdade, mas como era flor, acabou por renascer na devida temporada.


Ps. Publicada originalmente dia 30/05/09 às 22h36.