O FATOR "Y"



Imagem do DevianArt por Stephanie Pui-Mun Law.


Eu não gosto desse tema, mas infelizmente, ele não me evita como deveria...
Ser criada por uma mãe italiana tem lá suas vantagens como ser defendida por uma leoa, herdar a virtude da empatia genuína e claro, se fartar de massas, massas e massas...bom, já se deflagra aqui o que não convém, como o gene da obesidade, mas nem de longe é tão ruim como nascer menina em cultura predominantemente sexista.


Eu simplesmente adoro cozinhar, fico extremamente feliz de esperar a visita dos meus amigos com uma torta ou bolo no forno. Ouvi-los dizerem "Nossa, está muito bom", me leva ao céu, no entanto, se alguém fala algo com a palavra "prendada" no meio, eu despenco para o inferno.
Porque? Porque isso me faz lembrar do meu curso extensivo para ser uma das mulheres de Atenas, saber lavar, passar e cozinhar, já que esse deve ser o propósito da minha vida! Consequentemente, recebi amplo treinamento em técnicas de combate doméstico, embora a estratégia seja diferente, mulheres recebem a patente de "vítima", e também foram exaustivamente repetidos os preceitos básicos: "...porque ele é homem!", "Todo homem é assim" e o mais importante "Homem não presta".

 
Confesso que a última parte, eu não assimilei bem, mas meus superiores não podem me culpar, e sim a eles, precisamente, três homens com os quais convivi: meu irmão, meu pai e meu avô.
Essa trindade masculina encheu minha cabeça com lembranças tão doces, que não houve espaço para a perpetuação da inveja, da revolta e do preconceito. Nenhum deles eram perfeitos, muito menos heróis semelhantes aos mitos gregos. Meu avô achava que tudo tinha que ser feito a sua maneira, meu pai aponta falhas com a doçura do capitão Nascimento e meu irmão nunca colocou uma roupa suja no cesto, mas todos eles tem um caráter incalculável.


Se você acha que as ordens da milícia estão corretas, me desculpe, mas serei obrigada a contestar. Jeremias, meu avô, tinha uma intuição aguçadíssima, antes mesmo de cada um dos seus netos crescerem, ele praticamente adivinhou o que faria cada um deles, quem era inteligente, quem precisaria de mais puxões de orelha, quem era o mais confiável, com quem casariam...
O Anisio, tem uma criatividade e romantismo formidáveis! Um das minhas cenas favoritas foi vê-lo arquitetando uma embalagem em forma de bombom, para surpreender minha mãe com um anel no aniversário de casamento, sempre que me lembro, brotam lágrimas e risos ao mesmo tempo!
Já o Anisio Júnior, o cara folgado que me apelidou de "escrava", casou-se e adotou os três filhos da companheira, cuidando deles com todo carinho. Quando posso, gosto de assistir um vídeo dele servindo o almoço para as crianças, e se certificando de que está tudo certo, se lavaram as mãos, se todos tem talheres... E se não bastasse ser um excelentíssimo pai, é um marido fiel.
Então, neste segundo domingo de agosto*, não gostaria apenas de homenagear os pais e sim todos os homens, que como os exemplos que eu citei, contribuem para que a diferença entre os gêneros traga mais sabor do que dor a este mundo.
E acredite, existem muitos Jeremias, Anisios e Júniors por aí, mas caberá ao "XX" da questão desvelar o mistério em torno do ogro. Como dizia Sir. Shrek, "os ogros são como cebolas", então se a sua educação te fez uma boa cozinheira, enfaticamente eu recomendo, não desperdice nenhuma camada!



Ps. Foi publicada originalmente dia 09/08/09, por isso o final parece "meio atrasado" ;) 

Ps2. Muita gente vai torcer o nariz ou dizer que é um texto machista, mas não me arrependo de ter escrito como jamais me arrependi de admira-los.